THBR Entrevista: Baixo Ribeiro, da Galeria Choque Cultural!

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Baixo Ribeiro, sem dúvida um nome familiar para os nossos leitores, é uma das mentes por trás da Choque Cultural! Uma das galerias de arte urbana, mais respeitadas não só no Brasil, mas ao redor do Globo! Titi Freak, Gary Baseman, Speto, Tara McPherson, Zézão, Carlos Dias, Stephan Doitschinoff, e Rafael Coutinho…são apenas alguns dos mais de 200 artistas que têm, ou já tiveram os seus trabalhos expostos lá desde a sua fundação em 2003! Na entrevista, Baixo nos contou sobre o seu envolvimento com a arte, as características que o chamam a atenção em um artista, e claro…suas principais influências! Enjoy it!

Baixo, nos conte um pouco sobre o seu envolvimento com a arte. De onde surgiu essa paixão, que levou a fundação da Choque Cultural em 2003?

Sempre estive envolvido com arte. Entrei na Faculdade de Arquitetura na USP pra ficar perto da galera que mexia com arte na época. Nos anos 80 eu trabalhava com moda e design. Depois, nos anos 90, fui trabalhar com marcas de skate. A partir dos 2000, o meu filho já trabalhava com arte também (ele é tatuador e ilustrador), então eu e minha mulher abrimos um estúdio de tatuagem e posteriormente, em 2003, uma editora de gravuras chamada Choque Cultural. A galeria de arte surgiu logo em seguida, em 2 novembro de 2004, numa expo celebrando o dia de los muertos.

A Choque Cultural é também conhecida, por investir e acreditar em novos talentos,. Quais são as principais características em um artista e sua obra, que chamam a sua atenção?

Tem um lado mais técnico que tem que estar presente em cada trabalho. Gosto de boas pinturas, bons desenhos e esculturas. Acho que essa é a base, sempre. Não gosto de arte meramente conceitual (mas tem muita gente que gosta e tudo bem).
Mas além do lado técnico, o artista tem que ter uma força própria, que pode vir da sua história de vida, pode vir da vontade que ele tem de dar certo ou pode vir de uma herança cultural forte que ele tenha. Cada talento tem seu próprio jeito de nascer, mas tem sempre que ter muito trabalho pra lapidar isso.

Existe alguma exposição em particular (na Choque Cultural), que por uma razão ou outra, a considere especial?

Todas as individuais eu vejo com o mesmo carinho. Mas entre as coletivas, achei a Calaveras (primeira) e a Catalixo, exposições seminais pra encontrarmos nosso jeito de mostrar arte. A coletiva com os artistas da Fortes Vilaça em 2006, nos apresentou ao mercado ‘oficial’ de arte, além de ter sido uma incrível experiência de choque cultural, trocar de artistas e de público por um mês com uma das mais importantes galerias do mundo. As coletivas em parceria com o Jonathan LeVine de NYC foram todas incríveis, todos os artistas adoram participar e isso espalhou a nossa fama entre os outros artistas e , agora, todo mundo quer vir pro Brasil.
Tem tambémas exposições de museu, que foram todas muito importantes e legais de fazer, culminando com essa do Masp em 2009, que teve mais de 135 mil visitantes!

Quais/Quem são as suas maiores influências?

O meu sogro, o Aldemir Martins foi minha maior influência. Ele tinha o sentimento e a visão de arte e vida que eu tento transmitir hoje pros outros. Mas eu tenho algumas influências legais de lembrar também, como a Vivienne Westwood, que eu tive o grande prazer de conhecer e de quem eu sempre fui fã (ela inventou a cara do punk). A loja O Bode, dos anos 80/90 também me marcou bastante. Era uma meio loja – meio galeria que vendia arte popular feita no interiorzão do Brasil. Era um conceito muito sintonizado com a época.

O Brasil é considerado um grande celeiro de artistas. Como você vê essa nova safra de artistas urbanos brasileiros, como por exemplo…o Titi Freak, que estão chamando a atenção de colecionadores no exterior?

É natural que esses artistas façam sucesso. O trabalho é bom, consistente e eles estão trabalhando muito há muito tempo. Têm muitos artistas brasileiros bons atualmente e essa efervecência tem a ver com o próprio sucesso que o Brasil está fazendo lá fora. Todos estão olhando pra gente, querendo saber o que temos pra mostrar. Aí aparece uma geração de artistas mostrando bons trabalhos… então, eles t~em tudo pra fazer mais sucesso ainda.

Se você fosse criar um pequeno roteiro, quais cidades e lugares no mundo, você acha que um amante da arte, deveria conhecer?

Não viajo tanto assim pra fazer roteiros muito completos, mas gostei muito de Praga, de Veneza, Amsterdã e NYC. Todas muito urbanas mas com uma população que gosta de arte. Ah, no Brasil, eu gosto muito do Rio, São Paulo, Ouro Preto, muitas cidades são legais aqui.

Nos conte um pouco sobre os seus projetos presentes, e os planos para o futuro?

Muitos projetos e muitos planos. Mas, resumindo, estamos cada vez mais acreditando num futuro onde a arte vai fazer mais parte da vida. Acho que vamos ver um boom da arte pública e vão surgir muitas propostas novas de galerias, museus e escolas de arte.

Alguma mensagem que gostaria de deixar para um artista que está começando, e está pensando em levar a arte adiante?

Nada de especial. Aconselho cabeça no lugar e muito trabalho.

Baixo, como grande admiradores do trabalho que você vem executando, gostariamos de te agradecer pela entrevista, e por expor a arte urbana não só aqui no Brasil, como também no exterior! God Bless!!!

  • Arthur Bortolin

    Entrou para os Top3 das melhores entrevistas no THBR!

    Se hoje Titi, Calma, Baglione e toda a arte urbana Brasileira faz um enorme sucesso lá fora… o Baixo é um dos grandes responsáveis por isso!
    Infelizmente a Choque ainda sofre um “preconceito tapado” por tratar da arte de rua. O fato de eles exporem e comercializarem a estética urbana só da mais suporte e incentivo para a verdadeira arte das ruas se renovar e crescer ainda mais.
    Ao invés de pixar a Choque… a galera devia ir pixar a casa do Kassab. Com certeza sua contribuição para a arte urbana será muito mais significativa!

  • Baixooooooooo!!!

    😀

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  • skatenaveia

    Visionário!

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  • Mrs. Arte

    Arrazou! Parabéns ao the hype br pelas entrevistas! Venho acompanhando o site a cerca de 1 ano e vocês sempre inovando!

  • Muito boa!

  • João Guerra

    A melhor entrevista até agora!

  • Ror

    A street art Brasileira ganhou muita visibilidade e reconhecimento graças a ele!

  • valeu, lucas. e obrigado pelos elogios

  • giltoncoutinho

    Muitos artistas brasileiros são reconhecidos internacionalmente hoje em dia graças a Baixo Ribeiro . Ele tem um olho clinico na arte , observador , sabe realmente o significado da arte . O Brasil tem muitos artistas não reconhecidos com muito talento . Baixo Ribeiro é observador , então você artista que tem talento nunca desista dos seus sonhos , quem sabe algum dia , um cara com talento de Baixo Ribeiro te incorpora no mundo da arte ( Mundialmente).

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