(foto* Jece Valadão – Um Herói Brasileiro)
Ah.. Esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar, Brasil… Brasil
Ame-o ou deixe-o – mas admita: O maior talento do brasileiro é ser canalha. O brasileiro consegue ser cretino até quando quer ser bonzinho. Moro no Rio de Janeiro, essa cidade onde um compromisso agendado as 22:00h na verdade quer dizer 23:20h e um “foi mal”. Uma cidade onde a falta educação não escolhe classe social, até, e em geral, é o mais abastado que é o mais estúpido, deselegante e grosseiro – como se isso fosse um traço de sua esperteza sarada, de sua autoridade social.
O Rio é táo canalha que ainda se enche os pulmões a se proclamar como capital cultural do Brasil. O Rio é uma cidade onde a cultura se mistura com a vagabundagem e uma carência narcisica por chamar a atenção por querer única e exclusivamente ficar famoso (não importa como). Aqui, ainda se fala e se crê que é preciso estar doidão para aflorar a inspiração. Inspiração ? Existe isso? Quem TRABALHA com arte jamais espera por um sinal divino onde vai canalizar o dom que não se tem – apenas SE TRABALHA.
Mas há ainda aqueles verdadeiros artistas, pessoas criativas que são reféns dessa canalhice. Sábado passado fui ver a 5a. edição de uma exposição de novos artistas chamada Abre Alas – chegando lá me deparei com umas 10, talvez 12 peças de gosto duvidoso mas esse não é o ponto que quero abordar – o evento obviamente não começou no horário mesmo tendo suporte de divulgação impressa e verba da prefeitura. O evento bombou porque tinha cerveja grátis. Estava repleto de pessoas enchendo a cara de cerveja sem nem se dar ao trabalho de entrar na galeria – já que a cerveja era servida na rua. É bem verdade que democraticamente, inclusive transeuntes da região da Praça Tiradentes e punks da Lapa que correram pra lá apenas pra aproveitar o bundalelê. O problema disso tudo é que isso não é um fato isolado por aqui. É a regra.
É nesse ambiente competitivo, desleal e canalha. onde você vê, sabe e conhece e as vezes até convive com pessoas que mesmo talentosas – acham que a fama rima muito bem com cama. E é indistinto da opção sexual – ocorre com todas. E você vê também de um jeito nada discreto a horda de pendurados na fama alheia, pendurados na grande bolsa escrotal da verba pública, para esses, vale tudo.
Outro grande talento do nosso povo é falar da vida alheia – esse é um povo que fala pelos cotovelos da vida dos outros, quase sempre sem motivos e, pior, em geral de quem nem conhece direito.
Sabe, que não se ofendam os publicitários, mas eles são ótimos em roubar idéias alheias – e sustentam uma cara de pau que parece bem aquela de um bebê que acabou de fazer (você sabe o que) na fralda. Mas coitados, não sáo só eles. Não que eu acredite em originalidade – mas muita gente que deveria trabalhar com a criatividade – tem pouco ou nenhum talento. Pra que né ? Essa é uma herança dos tempos em que só uma elite muito limitada tinha acesso a um grau maior de informação. Hoje, isso está horizontalizado. Não há mais quem contenha ou detenha a informação. A demanda por criativos é enorme (em todas as áreas) mas como podem existir criativos se as pessoas tem um péssimo nivel de escolaridade e uma preguiça quase adolescente de aprofundar seus conhecimentos ?
Então: – Heil Yeah Motherfucker Fakers ! Aqui acredita-se mais em dom que em trabalho. A receita do sucesso é ser um canalha com tudo e com todos. (Mas por via das dúvidas é bom gastar mais tempo mantendo a boa forma pra compensar a falta de talento).
Morei 4 anos no Nordeste – e por lá, observei um tipo de canalhice muito comum – o comportamento de manada. Eu explico, o sujeito abre uma pastelaria, da noite pro dia o cara começa a fazer sucesso e ganhar dinheiro – pronto ! Tá fudido – ao menor sinal de sucesso, abrem 200 pastelarias – uma do lado da outra. E haja gente pra comer tanto pastel ! Náo, não há. Resultado: em menos de 1 ano quebraram todos. E isso é muito curioso no Nordeste. Por natureza são empreendedores, ao contrário daqui, e trabalham muito – e em bom número são confiáveis e tem palavra inclusive – mas nunca vi um lugar onde existissem tantos ex-ricos. Todo mundo por lá parece que em algum momento, dependendo de algum partido político ou de algum primo ou algum negócio – todo mundo lá em algum momento foi rico – fez merda pra cacete com dinheiro e quebrou… hehehe.. tá, isso não é ser canalha (só o comportamento de manada é) mas por que o brasileiro é tão condicionado a repetir fórmulas a ponto de eu poder escrever isso sem a menor preocupação de estar sendo preconceituoso. É um fato tangível.
Mas o que me trás a falar disso -além das questões artísticas- e aproveitando para me apresentar novamente. Em Março 2005 iniciei um podcast chamado Misturinha (nome dado pela Fernanda Rocco para uma festa secreta que eu fazia no verão de 2004/2005). Esse podcast cresceu muito, coloquei muito amor, dedicação, algum talento e a ajuda de amigos – o fato é que em 4 anos já passam de 5 milhões de visitantes e estou estreiando hoje o novo layout onde passarei a concentrar conteúdo de colaboradores e outros blogueiros. Muito bem, mas vou ao ponto. A coisa de 1 ano e pouco pensei que era hora de registrar o COM.BR, quando então descobri que havia sido registrado – até ai – nada. Bom, procurei a pessoa – já que se tratava de um Bazar de Moda com novos estilistas e achei que seria de bom senso mantermos uma boa relação e até mesmo uma cooperação, certo? Náo obtive resposta. Procurei um interlocutor de moda também – não obtive resposta. Muito bem, se ao visitar o site eu suspeitei um pouco da coincidencia inclusive do layout etc.. passei a achar aquilo bem estranho. Mas já que se tratava de um bazar que acontecia esporadicamente num apartamento de São Paulo, um site mixuruca sem conteúdo. Não dei importancia até porque a maior audiência do Misturinha sempre foi gringa – daí por isso as centenas de referências exatas ao meu podcast no Google.Mas hoje acordei com isso me irritando hehehe.. até porque esbarrei com sub-clones do The Hype BR.
O que me leva a concluir que o brasileiro não é apenas canalha – é invejoso também. E a inveja por aqui é viral. Lula inveja FHC – mas não mexe o cu, não lê jornal e menospreza os livros – e pra ele tá tudo bem – desde que conte com a burrice de quem tem “oreia” e a leniência de uma imprensa lunática.
(Eu ia postar aqui as pérolas de ontem do presidente que não acerta um plural, não consegue acertar uma conjugação verbal – mas tem conselhos para O MUNDO sobre comércio internacional, crise economica, globalização etc… Eu sei, isso seria canalhice demais. Mas esquecer disso não seria uma canalhice ainda pior ?)
Outra pérola da canalhice brasileira é a tal olhadinha para bunda – putaqueopariu ! Existe algum brasileiro que ande na rua e não dê aquela viradinha para olhar pra bunda ? Tipo, a mulher pode estar com bebê de colo, num enterro, toda lanhada numa emergência de hospital, pode ser até mesmo a irmã deficiente mental do seu melhor amigo.. e não é que o filho da puta vira e dá uma olhadinha ?
A canalhice brasileira não tem limite. Um país onde as questões sociais mais básicas e de distribuição de renda são tratadas a base de uma mesadinha do governo enquanto o maior debate da classe média é querer exigir o seu direito de ficar doidão quando quiser – só dando na cara. Um país onde quem come alface paga um imposto quase tão alto ao de quem fuma e bebe. Onde o litro de pinga custa menos do que o litro de água mineral. O brasileiro é tão escroto que inventou o cheque pré-datado pra poder ganhar tempo e curtir antes do cheque bater sem fundos.
Sério, se você não faz parte nem da ignorância, nem da histeria coletiva – a vontade que dá é pedir a conta pro garçom e ir embora. Mas você não é um canalha que foge então resolve ficar mesmo sabendo que joga pérolas aos porcos, muitos porcos.
Porra, eu já terminar sem falar da infindável lista de canalhices do Ronaldo, o filho da puta sacaneia a maior torcida do Brasil pra ir jogar para a segunda maior torcida do Brasil – jurando se recuperar fisicamente e perder o excesso de peso – CLARO, ELE É UM ATLETA NÉ ? e é flagrado na esbórnia com 2 piriguetes – sendo que o filho da puta tem uma mulher e uma bebê recém nascida em casa – porra, na boa – vai ser amador assim na casa do caralho ! Não bastou as travecas ? Desse jeito o contrato vitalicio com a Nike vai babar.
(Jenner encontra-se bem, feliz, saudavel, amando sua japonesa e faz esses textos antes do café da manhã POR ESPORTE.)
beijo a todos e quem quiser conhecer meu podcast – seja bemvindo ! 239 programas disponíveis para download DE GRAÇA. (de graça lota até exame de fezes como diria um poeta nordestino de quem pretendo falar em breve – sujeito de uma grosseria única, mas muito engraçado.)
www.misturinha.com
PS > Caros leitores – sintam-se a vontade de comentar. Eu não mordo.




